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A Entrelaçadora de Mundos
Diziam que ela tinha uma vida tranquila, organizada e, por que não dizer, ideal. E, de fato, diante dos olhos curiosos que a observavam, tudo parecia estar no lugar. As manhãs começavam serenas, os caminhos eram previsíveis, e os dias seguiam em rotina e planejamento. Mas havia algo nela que não cabia naquela ordem silenciosa. Dentro daquela aparente serenidade, existia uma inquietação — quase imperceptível — que sussurrava: explore as fronteiras. Ela tinha a certeza de que h
há 4 horas


Este texto contém spoilers da minissérie A Leste do Éden, da Netflix.
Este texto contém spoilers da minissérie A Leste do Éden, da Netflix. Nunca me senti confortável em lugares apertados, muito menos em situações nas quais alguém tenta determinar até onde posso ir. Mas existem prisões que não precisam de paredes. Algumas são construídas com expectativas, outras com convenções sociais. Há também aquelas que nascem dos vínculos que estabelecemos, dos afetos que cultivamos e das responsabilidades que, muitas vezes, assumimos sem sequer questionar
23 de out.


Pensamos o que queremos ou queremos o que nos ensinaram a pensar?
Existe uma convicção particularmente confortável no ser humano: a de que pensa por conta própria. Gostamos muito de acreditar que nossas opiniões são fruto de nossas experiências, que nossas escolhas refletem nossos desejos pessoais e que nossas convicções foram construídas racionalmente. Mas será que chegamos a elas sozinhos? Antes de aprendermos a questionar, já nos ensinaram – segundo o juízo de valor de quem nos está ensinando – o que é certo e errado, desejável e indesej
16 de out.


Bom dia, inverno — Tamara Klink
Há livros que a gente termina e há livros que continuam acontecendo dentro da gente. Bom dia, inverno é, à primeira vista, o relato de uma aventura extraordinária. Oito meses sozinha em um pequeno veleiro, cercada pelo gelo e pela escuridão do inverno da Groenlândia. Mas, conforme as páginas avançam, percebemos que a maior viagem de Tamara Klink talvez não seja geográfica. É uma viagem para dentro. Existe algo profundamente bonito na forma como ela escreve sobre a solidão. Nã
8 de out.


A memória não é um lugar intacto
A memória tem uma péssima reputação. Dizem que falha, distorce, exagera, inventa. E é por isso que ela é uma boa matéria literária. Um fato intacto pertence ao arquivo. Uma lembrança, não. Ela retorna carregando aquilo que sentimos depois, as palavras que encontramos tarde demais e, principalmente, tudo o que precisamos esquecer para continuar vivendo. A autoficção nasce assim: entre o que aconteceu e aquilo que conseguimos narrar. Não como uma mentira, mas como o reconhecim
24 de set.


A riqueza que não se posta
Em “Coisa de Rico: a vida dos endinheirados brasileiros”, o antropólogo Michel Alcoforado transforma anos de pesquisa de campo em um retrato afiado e bem-humorado das elites do país. Fenômeno editorial desde o lançamento, em 2025, o livro parte de uma constatação curiosa: quase nenhum brasileiro rico se considera, de fato, rico. Como a riqueza no Brasil é relacional, haverá sempre alguém com mais dinheiro, mais patrimônio, mais proximidade do topo, os ricos são sempre os outr
18 de set.


O que se encontra numa velha caixa de música
Nunca roubei um beijo, O beijo dá-se. Ou permite-se, mas naturalmente. E seu sabor seria diferente, Se, em vez de ser trocado, se furtasse. Todo beijo de amor, longo ou fugace, Deve ser um prazer que à ambos contete. Quando encantado e o coração consente, Beija-se a bôca e não a face. Não toquemos na flôr maravilhosa, Se qual for a sedução do ensejo Vendo a ofertar-se, fácil e formosa. Como os árabes, loucos de desejos, Amemos a roseira, olhando a rosa Roubemos a mulher e não
10 de set.


Um convite para (re) conhecer quem já amamos
O filme O Convite nos deixa claro que os relacionamentos não têm como base apenas a paixão ou a atração mútua. Para seguir e sustentar uma relação, precisamos de mais. Há que se compreender que a base de qualquer vínculo é o diálogo, mas, mais do que isso, é perceber como esse dialogo se transforma com o tempo. As conversas mudam. Os interesses mudam. As formas de demonstrar afeto mudam. As pessoas mudam. A questão é: você consegue sustentar a realidade que se impõe? Ou, mel
28 de ago.


E se a minha vida fosse um filme…
Quem seria eu nessa história? A mocinha injustiçada em busca de um grande amor? A vilã, ferida na infância, movida por uma constante busca por vingança? Ou, quem sabe, apenas a figurante na cena do restaurante, escondida atrás dos protagonistas, fingindo não existir? Talvez, se eu contasse a minha história, eu a classificaria como uma comédia romântica, cheia de belos cenários, um bocado de cenas hilárias e a busca constante por um final feliz. Mas não só isso. Se a minha vid
21 de ago.


O erro nunca foi acreditar
Toda bolha financeira nasce com o mesmo defeito de fabricação: só é reconhecível depois de estourar. Enquanto dura, não tem esse nome. Tem outro: futuro, progresso, a vez em que finalmente "é diferente". O economista John Kenneth Galbraith batizou o mecanismo de "a extrema brevidade da memória financeira", a experiência passada, quando é lembrada, sendo descartada como o refúgio primitivo de quem não sabe reconhecer as maravilhas do presente. É por isso que ninguém, dentro de
14 de ago.


Primeira Infância
Contexto: O seguinte texto se trata de um relatório pessoal que foi desenvolvido pelo aluno Matheus Vaz de Oliveira para o Projeto Comunitário da PUCPR Cultura em Rede. O projeto social Cultura em Rede se trata de uma prática aplicada em escolas em maior situação de vulnerabilidade social, implementando uma vez por semana um dia em que a comunidade do entorno da instituição possa usufruir do espaço para entretenimento, com dinâmicas culturais e atividades diversas que incent
7 de ago.


Nunca fomos tão conectados e tão solitários
Vivemos na era da conexão. Em poucos segundos, conseguimos conversar com alguém do outro lado do planeta, acompanhar acontecimentos em tempo real, compartilhar fotografias, opiniões e até momentos íntimos da nossa rotina. Nunca foi tão fácil encontrar pessoas. Nunca foi tão simples estabelecer conexões. Mas, então, por que tanta gente se sente sozinha? A princípio, parece um paradoxo. Afinal, a tecnologia aproximou distâncias que, há poucas décadas, pareciam intransponíveis
30 de jul.


Nuremberg não terminou em 1946
Há filmes que terminam quando sobem os créditos. Nuremberg não é um deles. Você sai da sala levando uma pergunta que pesa mais do que qualquer cena: como foi possível? Como uma das sociedades mais cultas da Europa assistiu, participou e, muitas vezes, aplaudiu a construção da maior máquina de extermínio? A resposta seria mais confortável se estivesse restrita aos monstros. Mas talvez seja justamente esse o motivo pelo qual o julgamento de Nuremberg continua tão necessário:
24 de jul.


Até lá, bons sonhos
É difícil para o ser humano se imaginar como um ser primitivo. A vida em sociedade projetou uma bela maquiagem sobre a forma como nos enxergamos como espécie. Entretanto, instintivamente, não somos diferentes dos nossos antepassados longíquos. Na verdade, somos quase os mesmos. O que me faz lembrar disso é que o coração dispara e a adrenalina ainda corre em nossas veias quando a ansiedade bate. As vezes acontece antes de dormir. A cabeça viaja nos problemas, nas coisas a se
17 de jul.


Quero falar sobre a Copa do Mundo
O que acontece com as brasileiras e os brasileiros a cada 4 anos que faz todo mundo parar, vestir a camisa do Brasil e sofrer diante da TV? Se fôssemos pensar de modo racional, todos os problemas envolvendo convocação, contusões, corrupção e bets deixariam bem claro que o Brasil tinha pouquíssimas chances de ser hexa. Mas por que, então, passado o primeiro jogo, todos nós nos sentíamos com a taça na mão? Será que existe mesmo a Pátria de chuteiras? Tantas perguntas e nenhu
9 de jul.


A Terceira Guerra Mundial já começou?
Quando pensamos em uma guerra mundial, a tendência é imaginarmos tanques, trincheiras, soldados e batalhas campais. A Primeira e a Segunda Guerra Mundial foram conflitos delimitados no tempo, no espaço e nos seus protagonistas. Existiam: lados definidos; objetivos relativamente claros; e, principalmente, a consciência coletiva de que o mundo estava em guerra. Mas, e se estivermos procurando a próxima guerra mundial no espaço-tempo errado? Nos últimos anos, o mundo assistiu
19 de jun.


Processos judiciais de família: justiça ou vingança?
As disputas judiciais, especialmente na esfera do Direito de Família, são exaustivas. Há um desgaste físico, emocional e, por que não, espiritual, que atravessa diversas camadas da família. Não atinge apenas quem assina a petição inicial ou quem figura no polo passivo. Atinge filhos, avós, novos companheiros, rotinas inteiras. A casa muda de clima. O corpo sente. O sono piora. A vida passa a girar em torno de prazos, audiências, prints, provas e versões. E, em algum ponto do
11 de jun.


O Brasil Ainda Sabe Esperar
Há algo de profundamente brasileiro em voltar a acreditar. A cada quatro anos, mesmo quando o país parece cansado de si mesmo, a Copa do Mundo nos devolve uma espécie de infância coletiva. As ruas ganham bandeiras, as janelas se vestem de verde e amarelo, os horários mudam, as conversas se encontram e, por algumas semanas, a pergunta mais importante parece ser a mesma em todos os lugares: será que agora vem? O hexa, para o brasileiro, nunca foi apenas um título. É uma esper
5 de jun.


Inteligência ou deficiência artificial?
Com efeito, a inteligência artificial (IA) é uma tecnologia que permite a computadores e máquinas imitarem habilidades humanas, como aprender, analisar e tomar decisões. Já está presente em nosso cotidiano, em assistentes virtuais, aplicativos de rotas e filtros de e-mails, e também em áreas complexas, como diagnósticos médicos, análise de dados e carros autônomos. Diferente de softwares tradicionais, a IA aprende com a experiência e se adapta a novas informações. Alguns sis
29 de mai.


O que Ivan Ilitch não teve tempo de responder
Chego à leitura de A Morte de Ivan Ilitch depois de semanas engolindo textos técnicos, doutrina jurídica e empresarial, o vocabulário pastoso do mundo corporativo. Minha última leitura fora desse universo havia sido Sinal Verde, de Matthew McConaughey. A justaposição não foi planejada, mas disse algo. Os dois livros se encontram num ponto de ruptura: o momento em que um homem olha para a própria vida e não se reconhece nela. McConaughey chega lá ainda a tempo. Larga a baju
14 de mai.
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