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Pensamos o que queremos ou queremos o que nos ensinaram a pensar?

Foto do escritor: Convidados
Convidados
há 7 horas
2 min de leitura

Existe uma convicção particularmente confortável no ser humano: a de que pensa por conta própria. Gostamos muito de acreditar que nossas opiniões são fruto de nossas experiências, que nossas escolhas refletem nossos desejos pessoais e que nossas convicções foram construídas racionalmente.


Mas será que chegamos a elas sozinhos?


Antes de aprendermos a questionar, já nos ensinaram – segundo o juízo de valor de quem nos está ensinando – o que é certo e errado, desejável e indesejável, aceitável e absurdo. Antes de formarmos nossas próprias opiniões, já existem referências que delimitam aquilo que devemos considerar razoável pensar.


Isso não significa que sejamos incapazes de pensar por conta própria. A questão é mais incômoda: até que ponto somos livres para escolher quando os próprios critérios utilizados para fazer nossas escolhas foram construídos por outros?


O poder nem sempre precisa proibir comportamentos ou impor vontades. Às vezes, sua expressão mais sofisticada está em influenciar aquilo que desejamos, fazendo com que determinadas escolhas pareçam naturais.


Essa discussão ganha novas dimensões na era digital. Nunca tivemos tanto acesso à informação, mas isso não significa que estejamos necessariamente mais preparados para compreender o mundo. Passamos a encontrar opiniões semelhantes às nossas e, muitas vezes, confundimos repetição com confirmação. A convicção se fortalece, mas não necessariamente porque foi submetida a um exame mais rigoroso.


O problema não está em sermos influenciados. Afinal, ninguém se forma intelectualmente no vazio. Somos constituídos pela cultura, pelas relações e pelas experiências que compartilhamos. A questão é saber se somos capazes de reconhecer essas influências e questionar aquilo que, por tanto tempo, nos pareceu evidente.


Questionar as próprias convicções é desconfortável porque nossas opiniões não apenas interpretam o mundo - elas também ajudam a construir nossa identidade. Admitir que estamos errados pode significar rever escolhas, abandonar certezas e reconhecer que nem sempre chegamos às nossas conclusões pelo caminho que imaginávamos.


No fundo, talvez a influência mais difícil de perceber seja aquela que nos faz acreditar que somos imunes a ela.


Se não escolhemos todas as referências a partir das quais pensamos, se nossos desejos são moldados pelo ambiente em que vivemos e se nossas certezas podem ser reforçadas por mecanismos que sequer percebemos, o quanto de nossas escolhas é, de fato, nosso?


Pensamos o que queremos ou apenas aprendemos a querer aquilo que fomos ensinados a pensar?


Autor: Paulo Guilherme A. dos S. Giffhorn

Arte por: Matheus Vaz

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