O que é felicidade?
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A felicidade parece ser algo que estamos sempre buscando, sempre almejando, sempre sonhando com algo além do presente. Claro, fazer planos e criar metas é importante, e muito. Mas até que ponto viver apenas pensando no futuro e deixando de viver o agora é algo saudável? Em maio, estive do outro lado do mundo com meu namorado (hoje noivo), na Ásia. Passamos pelo Catar, Sri Lanka e Maldivas, mas hoje quero falar especificamente sobre o Sri Lanka - uma ilha no Oceano Índico, logo abaixo da Índia. Um lugar ainda relativamente remoto, intocado pelo turismo de massa e extremamente rico em espiritualidade.
O país é majoritariamente budista, com cerca de 70% da população seguindo essa religião. Os outros 30% se dividem entre hinduístas, muçulmanos e católicos. Templos, fiéis, orações, oferendas, promessas e votos. É isso que se vê diariamente por lá. As religiões convivem de forma pacífica, aberta e livre. Pessoas com uma vida extremamente simples, felizes com pouco. Muitos sorrisos, muita hospitalidade e um povo acolhedor como poucos que já conheci. Durante os sete dias que estive no Sri Lanka, percebi que as pessoas pareciam realmente felizes em tudo o que faziam, não apenas por obrigação.

Nosso guia, Aslam, foi uma dessas pessoas marcantes. Determinado, proativo e com um sorriso gigante no rosto, ele sempre dizia que tudo era possível - e de fato fazia tudo acontecer da melhor forma. Organizou desde almoços românticos-surpresa fora do roteiro (que acabou sendo o melhor da viagem) até cruzar o país de carro só para que eu, apaixonada pela vida selvagem, pudesse tentar avistar um leopardo. Aslam já havia morado na Inglaterra com sua família, mas decidiu voltar ao seu país, onde - segundo ele - a vida era mais alegre. E não foi só com ele. Nos hotéis, o serviço era de uma gentileza rara.
A Ásia como um todo tem a hospitalidade como uma de suas marcas mais fortes. Sempre éramos recebidos com toalhas quentes, chás ou sucos e, de novo, muitos sorrisos. Diferente da Europa ou dos Estados Unidos, ali você não se sente apenas um hóspede que pagou por um serviço. Você se sente verdadeiramente bem-vindo.

Fiquei me perguntando: será que isso é apenas um protocolo, ou será que estão mesmo tão felizes em fazer o que fazem? A resposta veio naturalmente: era genuíno. Carregar malas? Não deixavam. Puxar sua própria cadeira no jantar? Nunca. Ser mal atendido? Jamais. Chegamos até a nos sentir quase mal por tanto cuidado e carinho. Será que eles são mesmo felizes assim? Será que merecemos tudo isso? Já estive em muitos lugares pelo mundo - África, Europa, Oceania e Américas -, mas a Ásia foi memorável. Quero voltar. Pra ontem. Com isso, volto à pergunta inicial: até que ponto viver pensando apenas no futuro e deixando de viver o presente é saudável? Minha resposta, hoje, é que devemos buscar a felicidade todos os dias. Agradecer pelo que temos, pelo que sentimos, pelo que vivemos, por quem está ao nosso lado. Dias tristes existem, e muitos. Mas também são motivo de gratidão, por sentirmos, por estarmos vivos. Todos os sentimentos devem ser sentidos. E isso, afinal, é o que é viver.
Artigo: Maria Paula Farracha Camargo
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