Harmonização Facial: Quando o Natural se Torna Artificial
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Vivemos em uma era em que a busca pela perfeição está em todas as áreas de nossas vidas, seja no trabalho, na família, na vida social, pessoal e principalmente na estética. Se você utiliza o Instagram, com certeza já ouviu falar de Botox, preenchimento, bioestimulador, enzima ou a famosa harmonização facial.
A busca ainda é majoritariamente feminina, porém o público masculino tem crescido em relação ao consumo de procedimentos estéticos. E isto se deve a exposição constante nas redes sociais, onde passamos horas consumindo fotos de pessoas com quilos de maquiagem, photoshop, e é claro, milhares de procedimentos estéticos.

Desde cedo, as mulheres são pressionadas a se enquadrar em padrões de beleza irreais e inalcançáveis: não podem ter rugas, devem exibir lábios volumosos, nariz fino e pontudo, maçãs do rosto marcadas e, jamais, estarem acima do peso.
Essa cobrança constante é exaustiva. E com a facilidade que o mercado oferece hoje para “montar” o rosto perfeito com técnicas minimamente invasivas e de rápido resultado, fazem com que algumas pessoas acabem ultrapassando limites e ficando artificiais. O que começou como uma forma de realçar traços naturais vem, cada vez mais, cruzando a linha para o artificial. O que acabamos vendo hoje em dia é uma padronização, todos os rostos se tornaram iguais, muitas vezes irreconhecíveis em relação à aparência original, e desconectados da beleza real anterior aos procedimentos.

A crítica aqui não está no desejo de cuidar da aparência, de querer realizar procedimentos para melhorar e harmonizar o natural, mas no excesso. A harmonização facial acaba se tornando um vício e, quando mal dosada, compromete a expressão, apaga traços e transforma rostos únicos em mais uma versão de um rosto que já cansamos de ver — sem vida, sem espontaneidade, sem identidade.
A comparação constante com rostos artificialmente "perfeitos", produtos de filtros de redes sociais, photoshop e intervenção estética, cria uma insatisfação com as pessoas que permanecem naturais e, muitas vezes, o que começa com uma pequena correção vira uma dependência estética.
Apesar de tudo harmonizar o rosto pode sim ser positivo, quando feito com responsabilidade e bom senso. Mas é preciso refletir: estamos melhorando nossa aparência ou nos distanciando do que realmente somos? A verdadeira beleza está na autenticidade e não em rostos moldados para atender um ideal de perfeição que, no fundo, é irreal e efêmero.
Artigo: Raquel Mileski







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