Israel: entre o sagrado e a guerra
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- há 4 dias
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Este é apenas um registro pessoal de uma experiência vivida e de uma percepção atual.
Quando conheci Israel, em 2013, foi de uma forma totalmente despretensiosa. Uma viagem de amigos.
Encontrei paisagens lindas, mas, mais do que isso, um lugar verdadeiramente sagrado. Caminhar pelas ruas da cidade antiga, por onde Jesus teria passado, foi um momento inesquecível. Visitar igrejas, sinagogas e mesquitas, todas tão próximas e, ao mesmo tempo, tão carregadas de significado, tornava aquela experiência ainda mais única.
De um lado, Tel Aviv — moderna, vibrante.
De outro, a cidade antiga — carregada de história, fé e significado.
Um lugar onde três religiões convivem lado a lado, cada uma com sua cultura, suas tradições e sua forma de enxergar o mundo.
E talvez fosse justamente isso que tornava tudo tão especial: a coexistência.
Hoje, com a guerra, ver tudo isso ameaçado — e, em muitos pontos, destruído — causa uma tristeza imensa.
No último domingo de Páscoa, a cidade antiga estava fechada. Ninguém podia entrar. Os católicos não puderam percorrer a Via Sacra.
Os judeus não puderam ir ao Muro das Lamentações.
Os muçulmanos também não puderam acessar seus locais sagrados, impedidos de exercer seus rituais em um dos espaços mais simbólicos de sua fé.
Um lugar construído sobre a fé… impedido de vivê-la.
Talvez o que mais impressione não seja apenas a destruição visível, mas o silêncio que tomou o lugar da fé.
Justamente no período que simboliza renovação e esperança, a cidade se viu fechada, inacessível, privada dos seus próprios rituais.
Um território que sempre foi símbolo de espiritualidade e encontro hoje se vê marcado pela ausência — de pessoas, de celebrações, de liberdade.
E fica comigo a pergunta: o que acontece com um lugar sagrado quando já não se pode vivêlo?




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