Cara Metade
- Convidados

- há 3 horas
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Talvez eu não soubesse te ler antes.
Talvez fosse cedo demais para compreender a profundidade escondida naquilo que parecia apenas pressa. Hoje, porém, tudo em ti me soa diferente: menos ruído, mais presença; menos impulso, mais densidade. Como se o tempo tivesse lapidado o que já era raro.
A tua pele tem a cor das coisas que permanecem, quente, profunda e viva.
Os seus olhos carregam uma sombra calma, dessas que não pedem passagem, mas ficam.
E há nos seus lábios um desenho de silêncio e promessa, como se guardassem palavras que não precisam ser ditas para serem sentidas.
As marcas no seu corpo não parecem apenas tatuagens.
Parecem vestígios de caminhos, mapas de tudo o que te atravessou sem te quebrar.
E as mãos, tão exatas no ofício, tão firmes no gesto, carregam essa espécie de beleza que nasce quando talento e disciplina aprendem a andar juntos.
Talvez seja por isso que a distância não consiga apagar certas presenças.
Outra cidade, outras ruas, outra rotina e, ainda assim, algo em você permanece com uma nitidez rara. Porque existem pessoas que, mesmo longe, continuam ocupando um lugar inteiro dentro daquilo que a gente sente.
E há qualquer coisa de sagrado nisso:
descobrir tarde, mas descobrir inteiro.
Perceber que onde antes eu via apenas a superfície, hoje enxergo grandeza, firmeza, beleza e paz.
Há em você essa força serena de homem que acolhe sem esforço, que transmite cuidado sem precisar anunciar, que traz no silêncio uma espécie de abrigo. E talvez o mais bonito seja justamente isso: eu te vejo. Vejo quem você é, vejo o que carrega, vejo a beleza que existe na sua essência e na sua trajetória.
O que sinto não nasce do impulso.
Nasce do reconhecimento.
De um amor que aprende primeiro a admirar, depois a respeitar, e então escolhe permanecer com verdade. Um amor que quer ser leve, mas firme; profundo, mas sereno. Um amor que sabe da importância da lealdade, do carinho e da presença, mesmo quando o mundo insiste em medir tudo pela distância.
Não falo de um amor barulhento.
Falo do afeto bonito e maduro, que cresce em silêncio, se sustenta no respeito e encontra na lealdade a sua forma mais bonita de existir.
Algumas pessoas não chegam.
Elas retornam ao nosso olhar e, quando retornam, já não há como não vê-las.
Autora: Heloisa Felchak
Arte por: Matheus Vaz



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