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A memória não é um lugar intacto
A memória tem uma péssima reputação. Dizem que falha, distorce, exagera, inventa. E é por isso que ela é uma boa matéria literária. Um fato intacto pertence ao arquivo. Uma lembrança, não. Ela retorna carregando aquilo que sentimos depois, as palavras que encontramos tarde demais e, principalmente, tudo o que precisamos esquecer para continuar vivendo. A autoficção nasce assim: entre o que aconteceu e aquilo que conseguimos narrar. Não como uma mentira, mas como o reconhecim
há 3 horas


A riqueza que não se posta
Em “Coisa de Rico: a vida dos endinheirados brasileiros”, o antropólogo Michel Alcoforado transforma anos de pesquisa de campo em um retrato afiado e bem-humorado das elites do país. Fenômeno editorial desde o lançamento, em 2025, o livro parte de uma constatação curiosa: quase nenhum brasileiro rico se considera, de fato, rico. Como a riqueza no Brasil é relacional, haverá sempre alguém com mais dinheiro, mais patrimônio, mais proximidade do topo, os ricos são sempre os outr
há 6 dias


O que se encontra numa velha caixa de música
Nunca roubei um beijo, O beijo dá-se. Ou permite-se, mas naturalmente. E seu sabor seria diferente, Se, em vez de ser trocado, se furtasse. Todo beijo de amor, longo ou fugace, Deve ser um prazer que à ambos contete. Quando encantado e o coração consente, Beija-se a bôca e não a face. Não toquemos na flôr maravilhosa, Se qual for a sedução do ensejo Vendo a ofertar-se, fácil e formosa. Como os árabes, loucos de desejos, Amemos a roseira, olhando a rosa Roubemos a mulher e não
10 de set.
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