Beatrice: a força de ser uma mulher e ser inteira
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- 19 de dez. de 2025
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Atualizado: há 5 dias

Há nomes que a gente escolhe pelo som bonito. E há nomes que a gente escolhe pelo que carregam por dentro. Beatrice é desses.
Quando eu li Divergente, de Veronica Roth, a Beatrice Prior, a Tris, me marcou de um jeito silencioso e profundo. Não só pela coragem, mas pela humanidade. Ela não nasce pronta, não é invencível, não é perfeita. Ela sente medo, hesita, se confunde. E, ainda assim, segue. Ainda assim, escolhe. Ainda assim, insiste em ser fi el ao que acredita, mesmo quando isso custa caro. Para mim, essa é a defi nição mais real de força.
E foi por isso que, quando fui dar nome à minha fi lha, eu quis que ela carregasse essa lembrança: a de uma menina que descobriu, no meio do caos, que ser forte não é nunca cair, é levantar com o coração inteiro. A Tris me ensinou que a verdadeira coragem não é barulho; é decisão. É a coragem de se conhecer, de se enfrentar, de dizer “eu não vou me dobrar”, mesmo quando o mundo inteiro tenta te encaixar.

Minha Beatrice, claro, não precisa ser heroína de história nenhuma. Ela só precisa ser ela. Mas eu confesso: eu sonho que esse nome seja, para ela, um abraço e um lembrete. Que, nos dias difíceis, ela se lembre de que dentro dela existe uma força que não depende de aplauso, nem de permissão. Que ela tenha coragem de ser sensível sem se envergonhar, fi rme sem se endurecer, livre sem se perder.
Porque a Beatrice de Divergente me deu uma imagem poderosa: a de alguém que não pertence a um único molde, que não se deixa resumir, que é maior do que qualquer rótulo. E isso, para mim, é um desejo para minha fi lha: que ela cresça sabendo que pode ser muitas coisas, e que ser muitas coisas é um dom, não um problema.
Entre a Beatrice do livro e a Beatrice da minha vida existe um fi o invisível: o da esperança. A esperança de que a coragem exista no cotidiano, nas escolhas simples, no respeito por si mesma, na capacidade de amar e de seguir em frente, mesmo quando o medo aparecer. E ele vai aparecer. Mas que ela aprenda cedo que medo não é sinal de fraqueza, é sinal de que algo importa. E que, quando algo importa, vale a pena.

Se a Tris foi feita de escolhas difíceis, eu quero que a minha Beatrice seja feita de escolhas verdadeiras. Que ela nunca aceite viver pela metade. Que ela entenda que o mais bonito de ser “guerreira” não é vencer batalhas, é não desistir de quem se é.
E, se um dia ela me perguntar por que esse nome, eu espero conseguir responder com a simplicidade que só o amor tem: “Porque eu quis que você carregasse, desde o começo, uma lembrança de coragem. E porque, antes mesmo de você nascer, eu já acreditava na mulher inteira que você seria.”
Artigo por: Heloisa Felchak
Arte por: Habner Matheus







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