Consciência, Memória e Escuta: o Clube do Livro Livre Instância e a Leitura de Memórias da Plantação
- Convidados

- 15 de jan.
- 2 min de leitura
Novembro é, historicamente, um mês de reflexão, escuta e tomada de consciência. No contexto do Mês da Consciência Negra, o convite à ampliação do olhar sobre as relações raciais no Brasil ganha densidade e urgência, especialmente quando se reconhece que o racismo estrutural atravessa instituições, práticas profissionais, a produção cultural e as experiências mais ordinárias do cotidiano.

Foi a partir dessa perspectiva que o Clube do Livro Livre Instância promoveu, no dia 28 de novembro, um encontro dedicado à leitura e ao debate da obra Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano, da escritora e pesquisadora Grada Kilomba. Considerado um marco contemporâneo nos estudos sobre negritude, identidade e colonialidade, o livro articula relatos autobiográficos e reflexão teórica para evidenciar como o racismo se manifesta de forma reiterada, muitas vezes silenciosa, mas profundamente estruturante das relações sociais.
Ao longo do encontro, os participantes foram convidados a refletir sobre os chamados “episódios de racismo cotidiano” descritos por Kilomba, compreendendo-os não como eventos isolados, mas como expressões de uma lógica histórica que ainda organiza discursos, expectativas e hierarquias. A leitura coletiva permitiu tensionar conceitos como lugar de fala, memória colonial e subjetividade, conectando-os às vivências pessoais e profissionais dos presentes.
A conversa contou com a participação especial de Eloá Marinho, que contribuiu para aprofundar o debate, ampliando as chaves de leitura da obra e estimulando um diálogo atento, respeitoso e crítico. Sua presença reforçou o caráter do Clube do Livro como um espaço de escuta qualificada, em que diferentes experiências e perspectivas se encontram para promover aprendizado e sensibilização.
Mais do que uma atividade pontual, o encontro reafirmou o compromisso do Livre Instância com iniciativas que promovem reflexão social, responsabilidade institucional e abertura ao diálogo. Ao dedicar o mês de novembro a uma obra que provoca desconforto produtivo e convida à autocrítica, o Clube do Livro consolida-se como um ambiente de formação contínua, no qual o direito se conecta à cultura, à memória e às transformações necessárias para uma sociedade mais justa.
O Clube do Livro Livre Instância segue aberto a todos que desejam aprender, ouvir e refletir — entendendo que a consciência é um processo contínuo, construído no encontro entre leitura, escuta e diálogo.







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