A Terceira Guerra Mundial já começou?
- Convidados

- 19 de jun.
- 2 min de leitura
Quando pensamos em uma guerra mundial, a tendência é imaginarmos tanques, trincheiras, soldados e batalhas campais. A Primeira e a Segunda Guerra Mundial foram conflitos delimitados no tempo, no espaço e nos seus protagonistas. Existiam: lados definidos; objetivos relativamente claros; e, principalmente, a consciência coletiva de que o mundo estava em guerra.
Mas, e se estivermos procurando a próxima guerra mundial no espaço-tempo errado?
Nos últimos anos, o mundo assistiu à invasão da Ucrânia pela Rússia, ao recrudescimento dos conflitos no Oriente Médio, à crescente tensão entre China e Taiwan, à disputa comercial entre chineses e americanos, à corrida tecnológica pela inteligência artificial e aos ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados contra governos e empresas.
Isoladamente, cada um desses eventos parece possuir causas, atores e consequências próprias. Em conjunto, entretanto, talvez nos contem uma história diferente. Talvez, a pergunta não seja se haverá uma Terceira Guerra Mundial, mas, sim, se ela já começou.
A história costuma ser mais fácil de compreender quando já aconteceu. Hoje, sabemos exatamente quando começou a Primeira Guerra Mundial e conhecemos os fatos que levaram à Segunda. Conseguimos identificar todos os marcos históricos e também as suas consequências. Entretanto, para aqueles que viveram esses períodos, a realidade era muito menos evidente.
A história raramente avisa que está sendo escrita. E é aí que está o problema.
É possível que algo semelhante esteja acontecendo exatamente agora. Não necessariamente porque exista um conflito global em curso, mas porque estamos presenciando uma disputa cada vez mais intensa pela redefinição da ordem mundial.
Hoje, uma guerra pode ser travada por meio de tarifas comerciais, restrições tecnológicas, controle de recursos estratégicos, campanhas de desinformação e/ou ataques cibernéticos. Um país não precisa invadir o outro para causar danos significativos à sua economia, à sua infraestrutura ou à sua estabilidade institucional.
A guerra deixou de ser apenas territorial. Ela passou a ser econômica, tecnológica, informacional e cultural.
Talvez seja justamente isso que torne o momento atual tão difícil de interpretar. Continuamos associando guerras mundiais às imagens do passado, enquanto os instrumentos de poder se transformaram profundamente. Procuramos uma repetição de 1939, quando talvez estejamos diante de algo completamente diferente.
Isso significa que já estamos vivendo uma Terceira Guerra Mundial? Provavelmente ninguém tem essa resposta.
De toda forma, o que realmente importa, agora, é perceber que o mundo parece estar abandonando uma relativa estabilidade para ingressar em um período de disputas cada vez mais frequentes e complexas. As tensões internacionais deixaram de ser exceções ocasionais e passaram a integrar a rotina geopolítica do planeta.
E, se existe uma característica comum a todas as grandes transformações históricas, é que elas costumam ser compreendidas apenas depois de concluídas.
Por isso, talvez a pergunta que as próximas gerações façam não seja se fomos capazes de evitar uma Terceira Guerra Mundial, mas, sim, se fomos capazes (ou não) de perceber que ela já estava acontecendo. Exatamente aqui e agora, diante dos nossos próprios olhos.
Autor: Paulo Guilherme A. dos S. Giffhorn
Arte por: Matheus Vaz




Comentários